Cosméticos Eco-Friendly: 100% Livres de Sulfatos, alternativas orgânicas e naturais.(Parte 2)

Salve o verde



Continuando…

Alternativas Orgânicas e Naturais

São muitos os ativos que vêm sendo substituídos por alternativas orgânicas, naturais e vegetais.

  • Disodium Cocoyl Glutamate e Cocamidopropyl Betaine: substitutos ao lauril Éter Sulfato de Sódio. O Disodium Cocoyl Glutamate é mais suave e com risco muito menor de irritação. O Cocamidopropyl Betaine tem função detergente (limpeza), espessante e para reduzir a irritação que poderia resultar no caso de serem usados outros detergentes. 
  • Dehydroacetic Acid (and) Benzyl Alcohol: conservante alternativo aos formadores de formaldeído (Imidazolidinil Urea, DMDM Hidantoina), conservantes clorados e outros. Mais suave que os convencionais. 
  • Sucrose Cocoate: tensoativo natural orgânico, estabilizador de espuma, substituto à Dietanolamida de ácidos graxos de coco.
  • Esfoliante de Açaí e Esfoliante de Maracujá: esfoliantes naturais alternativos às microesferas de polietileno (derivado de petróleo). 
  • Cetearyl Olivate, Sorbitan Olivate: emulsionante (permite que o óleo e a água na formulação “se misturem”) substituto aos componentes etoxilados (álcool cetoestearílico etoxilado, PEG) largamente usados na indústria. De origem da oliva, também proporciona hidratação à pele e aos cabelos. 
  • Óleos e Manteigas Vegetais Orgânicas: substitutos aos emolientes e óleos derivados de petróleo. Em contato com pele e/ou cabelos, repõem sua composição lipídica. Além disso, alguns óleos possuem ação antioxidante (buriti, açaí) e hidratantes (babaçu, cacau e cupuaçu). O Aloe Vera é um grande hidratante, revitalizante da pele e cabelo. Também possui propriedades antiinflamatórias, motivo pelo qual é muito comum em produto pós-sol. Também é rico em minerais. Substituto de vários ativos sintéticos.

Convencionais X Orgânicos 

Do outro lado, os fabricantes de cosméticos convencionais que não aderiram a ideia dizem que os produtos orgânicos são até cinco vezes mais caros e apoiam-se no marketing verde para anunciar produtos. Em contrapartida, os fabricantes de cosméticos orgânicos alegam que seus produtos são diferentes dos convencionais em relação a uma porcentagem variada de ingredientes certificados dependendo do selo e que eles não possuem matéria-prima derivada de petróleo (silicone e óleos minerais).

Os especialistas dizem que o ponto fraco dos cosméticos orgânicos é a falta de estudos clínicos que comprovem a sua eficácia. Eles afirmam que é obrigação do produto não ter resíduos de herbicidas, seja ele orgânico ou convencional, e que divulgar só essa informação, como se fosse um diferencial, não passa de uma estratégia para atrair o consumidor.

No meio da polêmica estão dermatologistas e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Cientistas dizem que a composição baseada em vegetais nem sempre traz bons resultados. As plantas têm substâncias químicas que podem causar alergia, irritação ocular e até fototoxidade – uma espécie de queimadura quando a pele é exposta ao sol. As benesses alardeadas pela indústria dos orgânicos não são reconhecidas pela Anvisa. O posicionamento oficial da agência é de que as empresas que divulgam seus produtos como naturais o fazem apenas por marketing. “Nunca recebemos uma fundamentação técnica suficiente para definir um cosmético como orgânico”, diz Josineire Sallum, gerente-geral de cosméticos da Anvisa.

A polêmica dos SULFATOS


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem recebido inúmeras consultas quanto à veracidade das informações sobre a carcinogenicidade relacionada aos compostos lauril sulfato de sódio e lauril éter sulfato de sódio tendo em vista a variedade de produtos de higiene pessoal e saneantes que apresentam as referidas substâncias em suas formulações.

As informações veiculadas na Internet, a exemplo de "I have heard that sodium laury sulfate, which is added to many shampoos, may cause cancer. Is this true? Why would a company be allowed to add a harmful substance to such a commonly used product?" Robb-Nicholson, C.Harv. Womens Health Watch 1998 Dec.; 6(4):8" não obedecem ao mínimo rigor científico mas, simplesmente, um mero questionamento técnico.

Com o objetivo de esclarecer o problema, com base em publicações científicas relevantes e reconhecidas internacionalmente, foi implementada uma comissão composta por membros da CTAC (Comissão Técnica de Assessoramento na Área de Cosméticos) para a emissão de um parecer que apresente os dados encontrados na literatura científica.

Os tensoativos


O lauril sulfato de sódio, designação genérica empregada para o Dodecil Sulfato de Sódio, é um composto orgânico devidamente registrado no Chemical Abstract Service (CAS) sob o número 151-21-3. O Lauril Éter Sulfato de Sódio apresenta, como registro de CAS, o número 1335-72-4.

Estes compostos vêm sendo usado ao longo dos anos para diferentes finalidades e usos distintos a saber, banhos de espuma, cremes emolientes, cremes depilatórios, loções para mãos, xampus, dentifrícios, além de produtos saneantes (detergentes domissanitários). Este uso tem sido motivado em razão das suas propriedades detergente, molhante, espumógena, emulsificante e solubilizante. Cabe ressaltar que estas características são comuns à todos os tensoativos e não somente aos dois em questão.

Alguns tensoativos apresentam potencial de irritação à pele, no entanto, em formulações cosméticas, essa característica pode ser atenuada em função da concentração utilizada, da associação entre os mesmos, bem como das características da formulação pretendida para o produto final.

Dados de literatura

Após detalhadas buscas bibliográficas realizadas no MEDLINE, TOXILINE e National Toxicology Program, não foi encontrada, até a presente data, nenhuma publicação sugerindo que estes tensoativos fossem dotados de atividade carcinogênica.

Os alquil-sulfatos, classe à qual pretencem o LSS e o LESS, foram estudados juntamente com outras classes de tensoativos, quanto ao potencial carcinogênico após administração oral em água e alimentação. Nenhum desses experimentos indicou aumento do risco de câncer após a ingestão oral.

Conclusão

1 - Os dados propagados pela Internet não apresentam as publicações científicas que sustentam as afirmações feitas;
2 - Lauril sulfato de sódio, lauril éter sulfato de sódio, lauril sulfato de amônio e lauril éter sulfato de amônio, não constam da lista de produtos carcinogênicos do National Toxicology Program (Maio/2000) e nem do IARC - International Agency for Research on Câncer (Março/1999), este último, laboratório criado pela Organização Mundial da Saúde, sediado na França;
3 - Em documento do CIR (Cosmetic Ingredient Reviews), publicado no JACT 2(7) (1983), o lauril sulfato de sódio e o de amônio foram seguros para uso em produtos de enxágüe imediato (rinse-off). Entretanto, para produto que permanecem em contato prolongado com a pele, isto é, não enxaguados imediatamente após aplicação (leave-on), recomendou-se que a concentração não exceda 1% (um por cento), em função da característica irritante dos tensoativos;
4 - No JACT 2(5) (1983), o CIR conclui que o lauril éter sulfato de sódio e o lauril éter sulfato de amônio são seguros em concentrações até 50%;
5 - Com base nos dados apresentados acima, até o presente momento, não constam informações técnicas e científicas relativas ao potencial carcinogênico dos tensoativos lauril sulfato de sódio e lauril éter sulfato de sódio. 

Sub-comissão/CTAC

  • Ana Lúcia Pereira Farmacêutica/Bioquímica - Gerência Geral de Cosméticos/ Agência Nacional de Vigilância Sanitária 
  • Dermeval de Carvalho . Prof. Titular aposentado de Toxicologia da Universidade de São Paulo e Coordenador do Curso de Ciências Farmacêuticas da Universidade de Ribeirão Preto 
  • Elisabete Pereira dos Santos Prof. Adjunto/Faculdade de Farmácia - Universidade Federal do Rio de Janeiro 
  • Martha de Lucca Prof. Adjunto/Faculdade de Farmácia - Universidade Federal Fluminense 
  • Octavio Augusto França Presgrave Tecnologista - Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde/FIOCRUZ - RJ. 

Referências Bibliográficas

WINTER, R. A consumer´s dictionary of cosmetics ingredients. Three Rivers Press, New York, 1994. 
WILKINSON, J. B., MOORE, R. J. Harry´s Cosmeticology. 7Ed. Chemical Publishing, New York, 1982. 
RIEGER, M. M., RHEIN, L. D. (Editors). Surfactants in cosmetics, Surfactant science series, vol. 68, 2 Ed. Marcel Dekker, Inc., New York, 1997. 
GOSSELIN, R. E., SMITH, R. P., HODGE, H. C. Clinical Toxicology of Commercial Products. 5 Ed. Williams & Wilkins, Baltimore, 1984. 
CIR - Final Report. Journal of the American College of Toxicology 2(5):1-34 (1983) 
CIR - Final Report. Journal of the American College of Toxicology 2(7):127-181 (1983) 


E ai meninas, leram? Guardaram? 
Beijos