Cheiro ruim da Progressiva? A técnica responde.



Oi gente, eu de novo! Hoje vamos trazer respostas fundamentais para quem sofre com os efeitos colaterais dos alisamentos. Para manter o post focado na química dos componentes, não vamos citar nomes comerciais de marcas nas perguntas e respostas. O nosso objetivo principal hoje é solucionar um incômodo muito comum: como tirar o cheiro ruim da progressiva no cabelo molhado.

Para tirar todas as dúvidas técnicas, convidamos a Adriana, engenheira técnica química da Lokelani, que explicou tim-tim por tim-tim o que acontece com os fios após esses procedimentos.

Por que as pontas do cabelo ficam espigadas e não fecham após a progressiva?

Dúvida da Leitora: Era loira antes, escureci, cortei muito e fiz progressiva. Minhas pontas, por mais que eu cuide, não fecham. Elas abrem mesmo cortando muito. Hidrato bastante com produtos bons e de qualidade. Meu cabelo era ondulado nas pontas, mas nunca mais consegui essa forma. Queria deixar de ser escrava do secador, mas as pontas não deixam. O que fazer?

RESPOSTA DA QUÍMICA: A solução real e definitiva é continuar cortando, cerca de 3 dedos a cada 2 meses. Eu sei que ninguém gosta de cortar o cabelo e que sempre pensamos no tempo que ele demorou para crescer. Porém, é muito melhor desapegar e cortar para o cabelo crescer bonito, saudável e íntegro, do que tentar manter o comprimento com pontas espigadas e duplas.

Continue investindo nos seus bons produtos de hidratação. Itens em ampolas, que trazem um tratamento de choque imediato, entregam excelentes resultados e podem ser usados com bastante frequência até que você observe a melhora desejada nas pontas. Não tenha medo, pois o cabelo não se "acostuma" com o produto de forma negativa. O que acontece é que aquela deficiência específica de ativo (uma ampola de vitamina, por exemplo) foi sanada. O ideal é ir alternando os ativos no seu cronograma capilar para que nunca falte nenhum nutriente essencial aos fios!

Cheiro ruim da progressiva sem formol quando molha o cabelo: O que causa?

Dúvida da Leitora: Comprei uma escova dita "natural" e sem formol. Na aplicação não ardeu os olhos e o cheiro não incomodou. Porém, quando lavo os cabelos em casa, sinto um cheiro forte e estranho que só aparece com o cabelo molhado. Quando seca, o odor some. Isso é normal? Tenho medo de ser perigoso ou precisar neutralizar.

RESPOSTA DA QUÍMICA: Baseando-se puramente nas características do seu relato, é muito provável que essa escova progressiva utilize o Tioglicolato de Etanolamina como ativo alisante.

Este componente é consideravelmente mais suave e ameno do que as amônias tradicionais e não necessita de neutralização química com produto específico. Esse odor característico que surge quando os fios estão úmidos é o residual de enxofre liberado pela própria matéria-prima durante o processo de quebra e nova forma das pontes de hidrogênio do fio. É algo completamente normal! Fique tranquila, pois apenas o enxágue abundante com água atua na estabilização.

Esse cheiro forte de enxofre costuma sair naturalmente após, aproximadamente, 8 lavagens completas. Por ser um ativo suave, ele pode ser aplicado sobre cabelos que já possuem outras químicas anteriores (desde que passem no teste de mecha). Ele alisa de forma gradual a cada nova aplicação e os danos para a estrutura da fibra capilar são mínimos.

Cabelo com cheiro de leite azedo após Plástica dos Fios: É normal?

Dúvida da Leitora: Fiz uma plástica capilar e agora, sempre que lavo, o couro cabeludo fica com um fedor de leite azedo insuportável. Quando o cabelo seca o cheiro some totalmente. O que eu faço para remover esse odor?

RESPOSTA DA QUÍMICA: Cheiro de leite azedo diretamente na região do couro cabeludo é um caso bem atípico. Não há ativos alisantes tradicionais na cosmética que apresentem essa nota olfativa específica.

De forma geral, se for o residual químico comum agindo nos fios úmidos (como o Tioglicolato), o odor deve desaparecer por completo entre 8 a 10 lavagens após o procedimento. Caso o cheiro persista além desse período, recomendo fortemente que retorne ao salão de beleza para relatar o ocorrido e verificar a composição do lote utilizado. É fundamental observar: o cheiro está na extensão dos fios úmidos (reação química normal) ou está concentrado na pele do couro cabeludo?

Cabelo com luzes pode fazer Plástica dos Fios ou Progressiva?

Dúvida da Leitora: Tenho o cabelo ondulado e com muitas luzes loiras. Ele está meio sem formato e me interessei pela plástica de fios para reduzir o volume e hidratar. É seguro associar essas duas químicas? Tenho medo de ficar com as pontas mastigadas.

RESPOSTA DA QUÍMICA: Essa é uma excelente pergunta! O primeiro passo obrigatório é realizar um teste de mecha minucioso.

Como o termo comercial "plástica dos fios" ou "selagem" é adotado por dezenas de marcas diferentes no mercado, torna-se impossível adivinhar qual o ativo alisante ou ácido está presente dentro da embalagem sem ler o rótulo. Fazer o teste de mecha com o profissional no salão é a única garantia de que a fibra descolorida vai aguentar a temperatura da prancha combinada com o produto, além de mostrar previamente como as suas pontas vão se comportar.

Quem pinta o cabelo de preto ou castanho precisa fazer Reconstrução Capilar?

Dúvida da Leitora: Uso tintura castanha (4.0). Faço apenas o retoque de raiz e, com a sobra da tinta, misturo no creme de hidratação para passar no comprimento. Meu cabelo não tem pontas duplas e está bem macio. Mesmo assim eu preciso fazer reconstrução?

RESPOSTA DA QUÍMICA: Recomendo fortemente que não faça mais essa mistura de sobra de tinta de cabelo com o seu creme de tratamento diário!

Quimicamente explicando: a tintura permanente é um produto alcalino com um pH alto (em torno de 9,0), necessário para abrir as cutículas. Já as máscaras e cremes capilares são produtos ácidos com o pH baixo (em torno de 4,5), feitos para selar os fios. Quando você mistura os dois, ocorrem dois problemas de desperdício:

  • A acidez do creme abaixa o pH da tinta, fazendo com que ela perca o poder de fixação do pigmento;
  • A alcalinidade da tinta degrada e estraga instantaneamente os aminoácidos, proteínas e vitaminas da sua máscara de tratamento, anulando o efeito do creme.

O correto é aplicar a tinta pura para o retoque, fazer a pausa, enxaguar totalmente e só depois aplicar a sua máscara de tratamento separadamente. Sobre a sua dúvida: se o seu cabelo está visivelmente saudável, macio, com brilho espelhado e sem pontas duplas, não há necessidade de introduzir etapas pesadas de reconstrução no momento. Mantenha apenas a rotina atual.

Vale lembrar que sempre existem duas perspectivas: a nossa e a do profissional. Muitas vezes achamos que o cabelo está no seu ápice, mas sob a lupa de um bom cabeleireiro, ele pode identificar que os fios aceitariam um nível a mais de brilho e emoliência. Se você confia no seu profissional, vale a pena experimentar uma sessão de reconstrução profissional para avaliar os benefícios na prática!

Nota da Lu: Ouvindo a explicação técnica da Adriana, fiquei com uma pulga atrás da orelha! Misturar a tinta com o creme não seria o famoso processo de Banho de Brilho caseiro que tanta gente faz em salões e em casa? Vou enviar essa nova dúvida para a nossa técnica e trago a resposta em breve para vocês, combinado?

Beijos e muito obrigada à Adriana pelas explicações maravilhosas de sempre!


Este conteúdo é original de Produtinhos no Cabelo (PnC)